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 Metafísica do Cotidiano 


       O país dos selvagens

       Não é segredo pra nenhum de nós, brasileiros, a imagem que o mundo faz de nós. Apesar dos esforços solitários de alguns abnegados (uns poucos políticos e alguns esportistas) ainda somos rotulados, na maioria das vezes, como um país miserável e violento, que tem de bom apenas o carnaval e o Pelé.

       Hoje em dia isso pode ser visto como um exagero, e por mais que um Fernando Henrique impressione o Congresso da França, por mais que um Guga ou um Robert Scheidt levem a bandeira brasileira no lugar mais alto do pódio em dois esportes tidos como elitistas, muita gente ainda nos vê como um país sub-desenvolvido, habitado por um bando de selvagens.

       Acompanhando o noticiário, temos a noção de que eles não estão totalmente errados. Lá fora, temos guerras entre Palestinos e Israelenses, Americanos e Afegãos. Mas pelo menos eles não queimam índios em pontos de ônibus... Agora, o que aconteceu no último dia 6 de dezembro só serviu para mais uma vez ratificar nossa imagem lá fora. Assassinaram simplesmente o maior velejador da atualidade: Peter Blake (foto). E o pior é que nem premeditado foi. Mataram para roubá-lo, e nem sabiam quem ele era. Além de tudo nossos bandidos, em sua maioria, são amadores.

       Não é a primeira vez que um velejador morre no "cumprimento do seu dever". Fernão de Magalhães e James Cook são alguns exemplos. O problema é que ambos foram vitimados por aborígenes ou silvícolas. Peter Blake foi morto por nossos selvagens conhecidos como "Ratos do Rio'. Bandidos comuns e ordinários como muitos que vivem entre nós. Aí você vai dizer: "Bom, mas para pelo menos tentar amenizar nossa culpa, a polícia os prendeu em menos de 24 horas". Concordo, mas são fortes as suspeitas de que a polícia já sabia da sua existência e do que eles faziam, e fechavam os olhos para os furtos que eles cometiam contra os turistas.

       Mais uma vez conseguimos passar o atestado da violência e da impunidade. Outra vez nos esmeiramos em destruir nosso pouco prestígio lá fora. Ou torcemos para que novos "gugas" e "roberts" apareçam, e aos poucos mostrem pro mundo que o Brasil é capaz de produzir coisas boas, ou nos conscientizamos, cada um de nós, que todos temos uma pequenina parcela de culpa nesse incidente e em outros mais, e passemos a mudar nossas atitudes perante a violência e o descaso com a vida humana. Ou cada um de nós faz a sua parte, na sua casa, depois na rua, no bairro, etc. ou não poderemos reclamar que chamem nossa capital de Buenos Aires, e que pensem que somos todos índios, que ainda são analfabetos e andam pelados nas ruas.

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     Autor: Juliano Russi
     juliano@alavip.com.br

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