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 Metafísica do Cotidiano 


Saudades do Campeão!

       Como é difícil achar palavras para falar de Ayrton Senna. É difícil porque muito já se foi falado sobre ele, não restando nenhum fato novo ou algo diferente do que alguém já disse ou escreveu. Os jornais dissecaram sua vida, as revistas venderam muitos exemplares contando sua história e uma série de livros já foram lançados para contar toda a sua saga. Mas é igualmente difícil falar sobre ele porque às vezes faltam palavras pra descrever a importância que ele teve na vida das pessoas e a influência que ele exerceu sobre muitas delas, principalmente sobre este que vos escreve.

       Queria eu ter o dom da palavra e pudesse botar no papel toda a admiração que eu sentia por uma pessoa que eu sequer conhecia pessoalmente. Nunca trocamos uma palavra, nunca sequer nos vimos, mas tenho certeza absoluta que se eu um dia tivesse a honra de conhecê-lo eu faria o possível para eternizar aquele momento, e com isso talvez ganhasse a simpatia dele.

       Ayrton Senna foi um ser humano extraordinário. Tinha defeitos é claro. Mas quem não os tem? Eu confesso que não me interessava muito pela sua vida pessoal, mas do pouco que acompanhava percebia claramente a sua preocupação com a família e o bem-estar de quem o cercava. Essa admiração só cresceu ainda mais ao saber, por exemplo, das várias instituições que ele ajudava ainda em vida e que poucos sabiam.

       Ayrton Senna como piloto foi talvez o melhor que já existiu. Eu poderia contemporizar dizendo que ele foi um dos melhores, mas não tem jeito. Coração de fã não se engana: pra mim ele foi o melhor e ponto final. Piquet era um guerreiro, Prost impecável, Mansell era corajoso e Fangio um campeão nato. Mas Senna era isso tudo e muito mais. Ele redefiniu o conceito da palavra "fenômeno", hoje tão banalizado. Ele ganhou um campeonato jogando o Prost pra fora da pista. Quem se importa? Ganhou outro onde seu carro era melhor que o carro de todos os outros pilotos. E daí? Brasileiro bom é aquele que dá duro, tem garra e raça. Ayrton tinha tudo isso. Era talentoso, arrojado. Fazia de conta que cada corrida era a sua última. Ele ganhava as corridas e incorporava no cockpit um pouquinho do sonho de cada um de nós: o sonho de ser vencedor, de ter sucesso no que faz. O sonho de ao menos por alguns instantes ser completamente feliz.

       Das milhares de cenas que eu guardo vivas na memória, a que mais me emociona é a do final do GP Brasil de 1991. A maioria conhece a história: nas últimas voltas a McLaren de Senna foi perdendo rendimento, perdendo as marchas e chegou no limite. Foram algumas voltas apenas com a 6ª marcha no carro, algo que despendia um esforço sobre-humano. Ayrton ganhou a prova, sua primeira vitória em casa. Seu nível de esgotamento era tamanho que ele não conseguia sair do carro e mesmo vários minutos depois não conseguiu sequer erguer o seu troféu no pódio. Mas a cena que eu me lembro é dele, ainda dentro do carro, cercado por uma multidão que invadira a pista. "Ayrton nos braços do povo" saiu em todos os jornais no dia seguinte. Inesquecível. Emocionante.

Quem hoje está nos braços do povo? Alguém mais algum dia já esteve? Ayrton foi a nossa única unanimidade "inteligente". Todos gostavam dele e o respeitavam pelo excelente piloto e pelo grande ser humano que foi. E é por isso que cada vez que eu vejo uma corrida de F-1 eu me lembro dos bons momentos que ele proporcionou. E é por isso também que a cada dia 1º de maio eu choro pois a dor da perda é talvez a pior dor que exista. Já são oito anos, mas parece que foi ontem...

"O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa é que ela vai chegar".
Ayrton Senna

 

"Que pena que pra você Ayrton, ela chegou tão cedo".
Juliano Russi

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     Autor: Juliano Russi
     juliano@alavip.com.br

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